Por que "A Família do Futuro"?

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Singapore
O nome do Blog surgiu de uma brincadeira, pois é muito curioso pensar que estaremos fisicamente onze horas à frente de nossa terra natal. Em Singapore, teoricamente, tudo ocorre primeiro que no Brasil. Aqui tentaremos ser cronistas de nós mesmos, interpretando o mundo à nossa volta em palavras simples e diretas. Mostraremos as aventuras de Marco, Ro, Carol, Bernardo, Beatriz e Eduardo em terras distantes. Rev3: Durante o tempo de existência desse blog, esta introdução foi alterada 2 vezes por incremento de novos integrantes.

sábado, 21 de janeiro de 2012

India - Mumbai ou Bombay - parte 1

Como estou envolvido num grande projeto na Índia, desta vez tive que esticar a jornada e permanecer por aqui pelo período de 12 dias. Portanto, tive o privilégio de fazer um breve tour pela cidade.

Primeiro havia uma dúvida em relação ao nome da cidade: Bombaim ou Mumbai?
O nome correto é Mumbai, pois deriva-se da língua indiana. Bombai foi o nome modificado dado pelos portugueses e depois consolidado pelos ingleses, ainda na época do colonialismo imperialista - sim, ela foi colônia de ambos os países, e sim, os portugueses também estiveram por aqui por volta de 1500 e alguma coisa. Incrível! Há uma bairro aqui chamado Santa Cruz.
Mumbai é a cidade mais importante da Índia. Centro financeiro e sede das grandes indústrias. Somente para recordar, Nova Delhi é a capital federal.


Embora a cidade tenha grande influência dos ingleses, ela parece um pouco deteriorada e muito suja. Ainda com a ajuda de um trânsito caótico, a cidade fica com a aparência de suja, e esconde seu lado bonito e histórico. Em alguns momentos tem-se que fazer um esforço para abrir a mente e não se deixar influenciar pelos nossos paradigmas ocidentais.

O primeiro lugar que conheci foi o Dhobi Ghat.
Uma tradicional lavanderia a céu aberto. Bem ao lado de uma importante estação de trem de Mumbai.
Mais de 2.000 pessoas trabalham lavando, secando e passando roupas no mesmo lugar. Tudo em bateladas. Pelo que entendi a lavagem consiste em torcer e bater as peças nas pedras, até que elas fiquem limpas. Fazem a coleta e entregam para quem quiser.
É uma ocupação que é passado de geração em geração.

Infelizmente não se permite a entrada no local das lavagens, mas vale pela curiosidade. (clique para ampliar)





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Depois, mais ou menos nas redondezas, numa rua tranquila e arborizada no sul da cidade de Mumbai, um tanto escondida, há uma casa transformada em museu, com muita história e lições para humanidade.
Este local, chamado de Mani Brawan, nada mais foi que o quartel general de Mahatma Gandhi.






Quando vi esse nome pela primeira vez não me passou pela cabeça a relação com Gandhi.
Entretanto, sem querer, fui até este lugar, e, culturalmente, não me arrependi.

Primeiro quem foi Gandhi? Mahatma não foi o seu nome de batismo (se é que existe batismo na Índia hehehe), ele foi adquirido depois de velho, cujo o significado na língua deles é "A Grande Alma".
Ele foi um importante líder politico, social e espiritual, e foi catalisador para a consolidação do estado moderno indiano.
A historia dele é bem longa e interessante, mas resumindo, do pouco tempo que tive e do consegui ler, ele foi um grande defensor dos direitos humanos e um grande espiritualista e pregador do uso da Não-Violência e da Paz Universal.
Um fato interessante é que ele foi estudar na Inglaterra e lá se formou advogado. No inicio da carreira foi trabalhar na África do Sul, e um episódio de racismos, ao qual ele foi o protagonista, foi o que desencadeou todo este novo pensamento de liberdade e de justiça.
Foi mais ou menos assim: Quando ainda vivia na África do Sul, ele estava sentado no vagão da primeira classe de um trem, e um homem branco sentiu-se ofendido e solicitou que ele cedesse o lugar. Obviamente que ocorreu resistência e discussões, mas foi depois desse incidente que ele passou a defender e organizar a luta pela justiça e paz universal. Foi o idealizador de centenas de protestos, reuniões, até o desencadeamento da revolução e independência indiana. Portanto, ele teve influência em outros países afora a Índia, como foi o caso da Africa do Sul.
Ele foi uma espécie de guru aos hindus e muçulmanos e fiquei realmente impressionado em conhecer um pouco mais sobre seus feitos.

Os trajes que ele sempre usava em publico ou em casa, eram fabricados por ele. Na época da colonialismo inglês ele não concordava na forma como os indianos eram tratados, principalmente ao que se referia as péssimas condições de trabalho e sociais na industria têxtil hindu-britânica: baixos salários, alta carga de impostos, semi-escravidão, etc. Então ele iniciou um campanha de que todos os indianos deveriam fabricar suas próprias roupas e não mais comprar os tecidos ingleses - imaginem o que aconteceu com o mercado da época e o impacto nos negócios ingleses?

Outra curiosidade, que tem uma pequena ligação com o nosso Brasil, foi o Satyagraha. Recordam desse nome - a operação da polícia federal dos grampos do telefone, do Delegado Protógenes, etc? Pois bem, na língua indiana Sayagraha significa o princípio da não-agressão, da forma não violenta de se protestar como um meio de revolução. O princípio foi freqüentemente traduzido como "o caminho da verdade" ou "a busca da verdade", inspirando pessoas notáveis como Martir Luther King e Mandela.
Sempre que ocorria alguma arbitrariedade dos ingleses contra os indianos, ele iniciava peregrinações para propagar campanhas de conscientização em massa, mostrando a necessidade da prática da desobediência civil e do uso da não violência.
Um das simbologias famosas de Gandhi foi o uso da mãos e dos cinco dedos. Cada dedo da mão aberta tinha um significado: igualdade universal; a proibição do uso de drogas ou álcool, integração dos hindu-muçulmanos; amizade e finalmente, a integração das mulheres na sociedade. Todos os dedos conectados ao pulso da mão, significando a não-violência.
O interessante é que ele conduzia massas, e como um líder politico, social e espiritual, não importava se era hindu ou muçulmano, todos os seguiam.
De campanha em campanha os ingleses perceberam que não adiantava prendê-lo, condená-lo, etc. Era até pior a situação, pois a população ficava mais indignada e o movimento tomava maior força.
E foi assim, sem o uso da violência, que ele conseguiu pressionar o imperialismo a abaixar impostos, libertar presos políticos, melhorar as condições de trabalhadores, devolução de terras e propriedades confiscadas e a independência do pais.
Entretanto, ele não conseguiu ver seu sonho de integrar hindus e muçulmanos num único país, que sucumbiu na divisão da Índia e do Paquistão.
Infelizmente, ele foi assassinado por um hindu, em Delhi, em 1948, logo após o fim da 2.a guerra mundial. Infelizmente, o mundo perdia um dos seus maiores lideres e pacifistas.
A seguir fotos do interior da casa (clique para ampliar)








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