Quase um ano depois da nossa chegada
em Singapura, a família Veloso retorna à terra mater. Entretanto, nem todos
viajaram. A Rô e as crianças foram na frente. Eu ainda tenho alguns dias de
trabalhos pela frente antes de me juntar a tropa em meados de fevereiro.
A viagem é bastante longa e
cansativa. São cerca de 14 horas de Singapura até Barcelona, depois outras 12
horas até São Paulo.
Para não judiar muita da molecada,
assim como na vinda, decidimos fazer uma parada de 3 dias na Espanha.
Os detalhes da Espanha ficam para um
próximo post. Aqui gostaria de registrar alguns fatos de preocupação e comedia sobre a longa viagem.
Preocupação:
No trajeto de Singapura para
Barcelona viaja-se a noite toda. O vôo sai tarde da noite, quase meia noite. Então
os passageiros seguem dormindo a o café da manha é servido algumas horas antes
da chegada.
O maior problema são as crianças que
tem que dormir em poltronas não muito confortáveis e na posição de sentado. Por
mais que tentemos deixá-los numa posição aconchegante, não deixa de ser
inconveniente.
A Beatriz possui um berço (bassinet)
que é montado na primeira fileira da classe econômica. Já o Bernardo e a
Carolina têm que se contentar com um assento comum.
A Carolina não nos dá trabalho. Já o
Bernardo, não se pode dizer o mesmo.
Coitado de quem viaja por perto, por
que quando o Bebeco fica zangado, ele realmente faz questão de demonstrar que
esta furioso. Começa a chutar, a gritar, a chorar, num volume que impressiona
qualquer tenor em uma opera.
Creio que eu a Rô dormimos no máximo
1 hora cada um.
Fico imaginando na minha cabeça o
quão duro deve ter sido a viagem entre Barcelona e São Paulo, pois carregar 3 crianças
não é moleza. E sei que a Rô passou ums apertos na viagem.
Comédia:
Dois fatos engraçados marcaram essa viagem,
A primeira eu fui protagonista e a segunda a Rosangela.
A primeira se dá com a minha
sogrinha.
Finalmente a velha foi embora. Carregamo-la
de tira-colo e ela voltou com a gente, no mesmo vôo, ao Brasil.
O fato cômico foi que tivemos a idéia
de fazer uma surpresa para a velha e para a família no Brasil. Ou seja, no
final ninguém sabia que a Rô e as crianças viajaram juntos.
A velha somente descobriu que iriamos juntos quando estávamos no portão de embarque e começamos a embarcar juntos. Na cabeça dela nos iríamos tomar outro vôo para a Austrália.
Mas como enganar o pessoal do
Brasil, já que eles sabiam da data de saída da minha sogra (pois alguém teria
que buscá-la no aeroporto)? Como explicar para a família que ela teria que
permanecer 3 dias em Barcelona sem levantar suspeitas?
Logo que chegamos em Barcelona eu liguei
para o meu sogro, explicando que a velha não iria chegar na data combinada. A
desculpa foi que a companhia aérea havia cancelado o vôo por falta de quorum, e
que devido a isso a velha teria que permanecer 3 dias em Barcelona.
Afora as gargalhadas de felicidade do
meu sogro - por ele ela poderia voltar ao Brasil em 2018 – o que se sucedeu
foram inúmeros equívocos de falta de comunicação.
O que era para ser uma mensagem para
despreocupar o pessoal, acabou elevando o problema a enésima potencia. Veja um
exemplo de um e-mail que recebi da minha cunhada. Vejam como um erro de comunicação
pode ferrar com tudo:
“Marco, hoje que seria o dia que a
minha mãe chegaria.....liguei para o meu pai, ele disse que o vc. havia ligado
para ele , e que havia informado que a minha mãe não chegaria hoje....pq. não
tinha a quantidade de passageiro suficiente em Barcelona para o Brasil, o avião
foi para a Grécia, e que o avião partiria somente na quinta-feira....fiquei
desesperada....!!! Imagine 3 dias na Grécia.....período de inverno....sem
dinheiro....sem cartão de crédito....sem entender nenhuma palavra.....”
Como seria bom se fosse verdade...
Imaginem a velha na Grécia, passando
frio, sem entender uma palavra... Eu queria ter uma câmera escondida pra dar
risada das presepadas.
Que pena! Fica para a próxima, a sugestão
foi anotada e aceita pela comissão dos genros liberais.
O segundo episódio se da por conta
do Bernardo (não sei por que eu não fico surpreso em escutar essas coisas).
Logo que a Rosângela chegou ao
Brasil conseguimos nos falar por telefone. Depois de uns minutos de conversa ela me
soltou o seguinte:
Não é fácil segurar uma criança de
2,5 anos numa poltrona de avião por mais de 12 horas. A certa altura do vôo sobre o Oceano Atlântico, o
Bernardo já sem paciência, começa a ficar de pé no assento, a pular e a andar
pelos corredores.
O andar torna-se corrida. E como já
havia mencionado anteriormente em outro post, a bateria do sujeitinho é de longa
duração.
Naquele momento ficara evidente que
no meio de tantos passageiros havia aqueles que gostavam e davam risadas e havia
aqueles que fechavam a cara e ficavam enfurecidos.
Enfim, era corrida para lá e corrida
para cá - ele corria e voltava pelo mesmo corredor um bom par de vezes – quando subitamente ele não
mais voltou. Enfim, a Rosângela conseguiu perdê-lo em pleno vôo.
Ela pressentiu algo estranho e
levantou para procurá-lo. Era obvio que uma hora ou outra o moleque ia
aparecer, mas não aparecia.
A Rosangela saiu a procurá-lo na
primeira classe, na classe executiva, todas as cozinhas, alguns banheiros,
corredores, e nada.
Depois de eternos 5 minutos heis que
Bernardo aparece no colo de chefe dos comissários da aeronave, com um sorriso
de malandro no rosto e querendo mais.
Fica o mistério de onde ele havia se
enfiado – ninguém soube explicar.
Mas ele voltou cheio de chocolates e
batatinha fritas.
Nenhum comissário ou aeromoça falavam
a língua portuguesa, mas dava para perceber que boa parte do avião já conhecia o
moleque, pois além de trazê-lo diretamente ao colo da mãe, já o chamavam pelo
nome.




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