Por que "A Família do Futuro"?

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Singapore
O nome do Blog surgiu de uma brincadeira, pois é muito curioso pensar que estaremos fisicamente onze horas à frente de nossa terra natal. Em Singapore, teoricamente, tudo ocorre primeiro que no Brasil. Aqui tentaremos ser cronistas de nós mesmos, interpretando o mundo à nossa volta em palavras simples e diretas. Mostraremos as aventuras de Marco, Ro, Carol, Bernardo, Beatriz e Eduardo em terras distantes. Rev3: Durante o tempo de existência desse blog, esta introdução foi alterada 2 vezes por incremento de novos integrantes.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Retorno ao Brasil - detalhes de uma longa viagem e pequenas presepadas


Quase um ano depois da nossa chegada em Singapura, a família Veloso retorna à terra mater. Entretanto, nem todos viajaram. A Rô e as crianças foram na frente. Eu ainda tenho alguns dias de trabalhos pela frente antes de me juntar a tropa em meados de fevereiro.

A viagem é bastante longa e cansativa. São cerca de 14 horas de Singapura até Barcelona, depois outras 12 horas até São Paulo.
Para não judiar muita da molecada, assim como na vinda, decidimos fazer uma parada de 3 dias na Espanha.

Os detalhes da Espanha ficam para um próximo post. Aqui gostaria de registrar alguns fatos de preocupação e comedia sobre a longa viagem.



Preocupação:
No trajeto de Singapura para Barcelona viaja-se a noite toda. O vôo sai tarde da noite, quase meia noite. Então os passageiros seguem dormindo a o café da manha é servido algumas horas antes da chegada.
O maior problema são as crianças que tem que dormir em poltronas não muito confortáveis e na posição de sentado. Por mais que tentemos deixá-los numa posição aconchegante, não deixa de ser inconveniente.
A Beatriz possui um berço (bassinet) que é montado na primeira fileira da classe econômica. Já o Bernardo e a Carolina têm que se contentar com um assento comum.
A Carolina não nos dá trabalho. Já o Bernardo, não se pode dizer o mesmo.
Coitado de quem viaja por perto, por que quando o Bebeco fica zangado, ele realmente faz questão de demonstrar que esta furioso. Começa a chutar, a gritar, a chorar, num volume que impressiona qualquer tenor em uma opera.
Creio que eu a Rô dormimos no máximo 1 hora cada um.

Fico imaginando na minha cabeça o quão duro deve ter sido a viagem entre Barcelona e São Paulo, pois carregar 3 crianças não é moleza. E sei que a Rô passou ums apertos na viagem.

Comédia:
Dois fatos engraçados marcaram essa viagem, A primeira eu fui protagonista e a segunda a Rosangela.

A primeira se dá com a minha sogrinha.
Finalmente a velha foi embora. Carregamo-la de tira-colo e ela voltou com a gente, no mesmo vôo, ao Brasil.
O fato cômico foi que tivemos a idéia de fazer uma surpresa para a velha e para a família no Brasil. Ou seja, no final ninguém sabia que a Rô e as crianças viajaram juntos.
A velha somente descobriu que iriamos juntos quando estávamos no portão de embarque e começamos a embarcar juntos. Na cabeça dela nos iríamos tomar outro vôo para a Austrália.
Mas como enganar o pessoal do Brasil, já que eles sabiam da data de saída da minha sogra (pois alguém teria que buscá-la no aeroporto)? Como explicar para a família que ela teria que permanecer 3 dias em Barcelona sem levantar suspeitas?
Logo que chegamos em Barcelona eu liguei para o meu sogro, explicando que a velha não iria chegar na data combinada. A desculpa foi que a companhia aérea havia cancelado o vôo por falta de quorum, e que devido a isso a velha teria que permanecer 3 dias em Barcelona.
Afora as gargalhadas de felicidade do meu sogro - por ele ela poderia voltar ao Brasil em 2018 – o que se sucedeu foram inúmeros equívocos de falta de comunicação.
O que era para ser uma mensagem para despreocupar o pessoal, acabou elevando o problema a enésima potencia. Veja um exemplo de um e-mail que recebi da minha cunhada. Vejam como um erro de comunicação pode ferrar com tudo:

“Marco, hoje que seria o dia que a minha mãe chegaria.....liguei para o meu pai, ele disse que o vc. havia ligado para ele , e que havia informado que a minha mãe não chegaria hoje....pq. não tinha a quantidade de passageiro suficiente em Barcelona para o Brasil, o avião foi para a Grécia, e que o avião partiria somente na quinta-feira....fiquei desesperada....!!! Imagine 3 dias na Grécia.....período de inverno....sem dinheiro....sem cartão de crédito....sem entender nenhuma palavra.....”

Como seria bom se fosse verdade...
Imaginem a velha na Grécia, passando frio, sem entender uma palavra... Eu queria ter uma câmera escondida pra dar risada das presepadas.
Que pena! Fica para a próxima, a sugestão foi anotada e aceita pela comissão dos genros liberais.

O segundo episódio se da por conta do Bernardo (não sei por que eu não fico surpreso em escutar essas coisas).
Logo que a Rosângela chegou ao Brasil conseguimos nos falar por telefone. Depois de uns minutos de conversa ela me soltou o seguinte:
Não é fácil segurar uma criança de 2,5 anos numa poltrona de avião por mais de 12 horas. A certa altura do vôo sobre o Oceano Atlântico, o Bernardo já sem paciência, começa a ficar de pé no assento, a pular e a andar pelos corredores.
O andar torna-se corrida. E como já havia mencionado anteriormente em outro post, a bateria do sujeitinho é de longa duração.
Naquele momento ficara evidente que no meio de tantos passageiros havia aqueles que gostavam e davam risadas e havia aqueles que fechavam a cara e ficavam enfurecidos.

Enfim, era corrida para lá e corrida para cá - ele corria e voltava pelo mesmo corredor um bom par de vezes – quando subitamente ele não mais voltou. Enfim, a Rosângela conseguiu perdê-lo em pleno vôo.
Ela pressentiu algo estranho e levantou para procurá-lo. Era obvio que uma hora ou outra o moleque ia aparecer, mas não aparecia.
A Rosangela saiu a procurá-lo na primeira classe, na classe executiva, todas as cozinhas, alguns banheiros, corredores, e nada.
Depois de eternos 5 minutos heis que Bernardo aparece no colo de chefe dos comissários da aeronave, com um sorriso de malandro no rosto e querendo mais.
Fica o mistério de onde ele havia se enfiado – ninguém soube explicar.
Mas ele voltou cheio de chocolates e batatinha fritas.
Nenhum comissário ou aeromoça falavam a língua portuguesa, mas dava para perceber que boa parte do avião já conhecia o moleque, pois além de trazê-lo diretamente ao colo da mãe, já o chamavam pelo nome.

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